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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Influência não se reduz a palavras bonitas

Professora da USP explica as bases e a origem da retórica, a arte de construir discursos capazes de tocar e convencer o outro

A Prof. da Universidade de São Paulo, Lineide do Lago Mosca fala sobre a história e as bases da retórica, a arte de se comunicar de forma influente (divulgação)
No dia a dia, a palavra “retórica” virou praticamente sinônimo de boa lábia, recurso empregado por políticos, advogados ou marqueteiros para conquistar uma plateia. O termo, no entanto, tem uma abrangência muito maior: trata-se de uma disciplina, inventada ainda na Grécia antiga, que busca estruturar falas e linhas de raciocínio capazes de defender de forma efetiva e convencedora um conjunto de ideias. Essa arte não se resume ao uso de palavras requintadas, nem a um modo mecânico de proferir frases feitas. Para desmistificar o campo de pesquisa e reflexão da Retórica (essa, sim, com “r” maiúsculo) e os ingredientes de um discurso poderoso e influente, conversamos com a professora Lineide do Lago Mosca, do departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade de São Paulo e coordenadora do Grupo de Estudos de Retórica e Argumentação da USP. 


As pessoas tendem, em geral, a associar o termo “retórica” a falas empoladas, discurso de político... Segundo a disciplina da Retórica — que faz parte do currículo de áreas como Letras e Direito —, quais as bases de um discurso eficaz e persuasivo? 

A retórica não se restringe a técnicas de oratória, que ensinam simplesmente a falar bem. Seu conceito é muito mais abrangente, porque envolve também as ideias e o raciocínio de quem fala. Um discurso efetivo é estruturado em cima do modo de pensar e do repertório do indivíduo, da sua articulação de ideias, ou seja, a capacidade de dispor e conectar os argumentos, e a elocução, que se refere aos recursos na fala que melhoram as chances de que ela cumpra sua finalidade. O objetivo, em linhas gerais, é que a comunicação seja feliz, cumpra suas intenções diante do interlocutor. Não se trata apenas de falar bem, mas de escolher os meios que tornem o discurso eficaz. Estamos partindo do pressuposto de que não basta ter “o que” dizer. É preciso saber “como” dizer. 

O visual e os gestos de quem discursa também contam bastante, não? 

Sem dúvida. Outro componente da retórica, para que o discurso seja eficiente, é o que chamamos de canalização, isto é, os elementos não verbais que ajudam o discurso a funcionar. Ela envolve a locomoção de uma pessoa pelo espaço, seus gestos, sua expressão facial... Outro aspecto importante para que o discurso exerça influência é o recurso da memória, que é o que entendemos por manter o fio da meada. Em outras palavras, conectar, ao longo da fala e de maneira lógica e clara, considerações sobre o passado e o presente. 

Tem-se a impressão de que, ao longo do tempo, a retórica perdeu um pouco de valor na vida das pessoas comuns. Que impacto ela exercia no cotidiano das antigas civilizações ocidentais? 

Na Grécia antiga (e mais em tarde entre os romanos), a retórica fazia parte da formação do cidadão. Isso porque a vida cotidiana não se separava da vida política. Os cidadãos recebiam aulas de retórica, até porque precisavam delas para defender suas ideias e opiniões nas assembleias e no meio de outros cidadãos. Era, portanto, uma disciplina que prestava um serviço para a vida em sociedade. Com o tempo houve uma redução dessa dimensão política para a maior parte dos indivíduos, que deixaram de ter acesso ou necessidade de recorrer aos elementos retóricos. 

E qual seria o berço da retórica? 

As primeiras escolas de retórica surgiram na Sicília [atual Itália] sob a ideia de usar a força da 
palavra para expulsar os constantes invasores da ilha. Depois as bases da disciplina foram levadas para a Grécia propriamente dita. Convencer pela palavra oferecia uma alternativa à guerra e ao emprego da força bruta, além de já estar atrelado aos preceitos que irão basear o Direito. 

Pode-se dizer que a retórica se modernizou mais recentemente? 

No século 20 importantes estudiosos da retórica retomaram princípios do filósofo grego Aristóteles, que já havia discutido e estruturado em suas obras os pilares do discurso eficaz e influente. A escola da neoretórica, como ficou conhecida, também passou a lidar mais com a noção de controvérsia e de questionamento. Não se quer mais difundir verdades absolutas por meio do discurso, mas construí-lo em cima de perguntas e respostas, ou seja, de questionamentos, integrando aí diversas disciplinas do conhecimento. A retórica se desligou também do estilo floreado que a caracterizou até o século 19, o que ocorria inclusive por motivos políticos e de censura. 

E o aspecto emocional do discurso, o dom de modular as emoções ao falar e tocar no ouvinte, qual seu papel na hora de persuadir alguém? 

Aristóteles já destacava a emoção como um dos componentes da retórica ao lado do uso do raciocínio e da forma como é conduzido o discurso. Mas precisamos levar em conta que até mesmo a razão se organiza de acordo com as emoções. Acontece que qualquer informação que vamos dar a alguém é carregada de certa intenção ou sentido e é por isso que dizemos que não existe discurso neutro. O apelo emocional numa fala, porém, depende da sua dosagem e do seu contexto. O emocionalismo pode parecer sensacionalista e criar rejeição dos ouvintes. Temos de considerar que falar é agir sobre o outro, e que essa pessoa pode aceitar ou não o que verbalizamos. Isso envolve a credibilidade, a imagem e o poder de influência que construímos inclusive por meio desse elo emocional com o interlocutor. 


SPONCIATO, Diogo. Influência não se reduz a palavras bonitas. GALILEU. Acesso em: 07/01/2013. Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI324747-17771,00-INFLUENCIA+NAO+SE+REDUZ+A+PALAVRAS+BONITAS.html

domingo, 6 de janeiro de 2013

A ciência da boa lábia


Estudos mostram que brechas na maneira como pensamos podem ser usadas para convencer. Saiba quais são as estratégias mais certeiras para persuadir e aprenda a se defender de discursos manipuladores


Ilustrações: Tiago Lacerda
Persuasão é coisa de político, marqueteiro e vendedor, gente com uma habilidade natural para seduzir, certo? Errado. Novos estudos revelam que a habilidade de convencer está impregnada em cada ser humano e teria, inclusive, contribuído para a evolução do nosso raciocínio. Mesmo que existam pessoas com o dom da lábia, técnicas de influência amparadas na ciência podem ser aprendidas por qualquer um. É o que afirma o Ph.D. em psicologia social Robert Cialdini, um dos maiores especialistas na área. Conheça a seguir essas táticas e entenda como e por que funcionam.
Nossa mente evoluiu para argumentar e persuadir os outros, sustentam artigos recém-publicados pelos renomados cientistas cognitivos Hugo Mercier e Dan Sperber, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França. Eles analisaram diversos estudos que mostram como o pensamento coletivo resolve melhor que o individual uma ampla gama de questões. Na medida em que nossos antepassados desenvolviam a linguagem, dizem os estudiosos, eles tiveram de tornar essa capacidade de raciocinar em grupo mais eficiente para chegar a consensos.


Basta uma rápida reflexão para perceber o quanto essa necessidade de persuadir está presente em nosso dia a dia. Ela dá as caras ao pedir passagem no trânsito, pleitear aumento ao chefe ou quando queremos demover a namorada de assistir àquela comédia romântica no cinema (ou o namorado de ver um filme de ação). Ser bem-sucedido ou não nessas tarefas, mostram experimentos de psicologia social, não depende apenas de bons argumentos. Requer saber usar os chamados atalhos mentais, atitudes que, mesmo sem ter uma relação com a ideia que você tenta passar, fazem ela ser aceita com mais facilidade.



A investigação desses atalhos começa com os estudos do psicólogo e Prêmio Nobel Daniel Kahneman, que descreveu o mecanismo rápido de tomada de decisões do cérebro. Kahneman demonstrou que nosso pensamento segue padrões baseados na experiência. Quando percebemos, por exemplo, que produtos caros normalmente têm qualidade superior, fazemos uma associação automática na nossa mente. Depois disso, todas as vezes que olharmos para um produto caro, a tendência será pensar que ele é melhor, mesmo que nada mais indique isso. Esse tipo de pré-conceito mental entra em cena várias vezes durante uma argumentação. Se dissermos que a ideia que estamos passando é amparada por um Prêmio Nobel (como acabamos de fazer), aumentam as chances de você se mostrar mais receptivo a ela, mesmo que seja um absurdo — o que, vamos deixar claro, não é o caso aqui.



Esses pensamentos intuitivos foram batizados de Sistema 1 (ou associativo) e, embora não pareçam, são benéficos. Eles economizam energia e tempo cerebral. Imagine o caos se a gente fosse parar para pensar com calma a cada pequena decisão. O contraponto é o Sistema 2 (ou analítico), usado quando precisamos meditar por um tempo antes de agir. As estratégias de persuasão operam principalmente em cima do Sistema 1, tentando capturar o interlocutor sem que ele reflita demais sobre o assunto, e se valem do fato de que uma parte da nossa maneira de pensar não se guia apenas pela racionalidade.



Um dos indícios disso é que a probabilidade de absorver ou não as mensagens de um interlocutor depende bastante de elementos que nada têm a ver com o que a pessoa diz. O psicólogo Albert Mehrabian, professor da Universidade da Califórnia, estabeleceu, depois de anos de pesquisas, uma regra clássica para mensurar como as mensagens são retidas. Segundo ele, 7% da chance de ter o discurso registrado se deve às palavras escolhidas, 38% às variações na entonação da voz e no ritmo da fala e 55% ao aspecto visual — gestos e expressões do rosto. “O que toca o outro é o comportamento não-verbal. Ele é útil para criar um canal de empatia, sem o qual fica muito difícil convencer alguém”, diz a fonoaudióloga Cida Coelho, doutora em psicologia social e professora do Centro Universitário Monte Serrat, em Santos. 



A fórmula da persuasão 

Entender esses elementos não-racionais que nos ajudam a convencer é o que faz possível aprender a ser mais persuasivo. “Décadas de estudos revelam que persuasão não é uma arte inata. Há hoje um corpo de evidências mostrando que existem maneiras eficazes de tornar nossa postura convincente”, diz Cialdini, que é professor da Universidade Estadual do Arizona e lançou recentemente no Brasil o livro As Armas da Persuasão. A obra reúne parte das investigações de quase 40 anos do pesquisador sobre os fatores que aumentam a predisposição de alguém a aceitar uma mensagem ou proposta. Cialdini agrupa os resultados de mais 300 pesquisas na área em seis categorias: reciprocidade, compromisso, aprovação social, afeição, autoridade e escassez (veja um resumo delas ao longo da matéria). 


Um dos princípios mais impactantes para convencer o outro é se mostrar simpático ou oferecer algo a ele. Se um motorista quer entrar na frente do seu carro e acena gentilmente, você vai negar passagem? Difícil, não? Um estudo clássico do psicólogo Dennis Regan, da Universidade Cornell, nos EUA, esmiuçou esse comportamento na década de 1970. No experimento, duplas foram convocadas a avaliar pinturas, só que um dos participantes era ator. Este pedia um favor ao outro voluntário: se ele podia ajudá-lo comprando umas rifas. No primeiro grupo de participantes, depois de um intervalo, o ator trazia ao companheiro um refrigerante; no segundo, não lhe dava nada. Regan percebeu que os indivíduos contemplados com a bebida compraram o dobro de bilhetes, a despeito de gostar ou não do ator. “Eles sentiram uma obrigação de retribuir”, diz Cialdini.



O preceito do “é dando que se recebe” abrange desde a sutileza de sorrir antes de solicitar algo até dar presentes. Uma pesquisa da Universidade de Toronto, no Canadá, revelou que todos os médicos que publicaram resultados positivos sobre um remédio para o coração haviam recebido viagens ou trabalhos do laboratório antes, enquanto só 37% dos cientistas que questionaram a droga haviam sido patrocinados de alguma forma.



O mero contato com as farmacêuticas, e sua rotina de almoços e brindes, já seria capaz, segundo levantamentos nos EUA, de influenciar o que o doutor receita. E é por isso que se combate hoje a chamada “prescrição não-racional”. 

Ilustrações: Tiago Lacerda
Maria vai com as outras 
Saber que a maioria das pessoas apoia uma ideia também nos faz mais propensos a aceitá-la, mesmo não havendo motivo racional para isso. É muito mais fácil ser convencido a incluir seu nome num abaixo-assinado se já há outros na lista. Esse é o efeito da conformidade, e ele parece mexer até mesmo com nossas percepções sensoriais, como aponta uma experiência do neuroeconomista Gregory Berns, da Universidade Emory, nos EUA. Ele pediu que um voluntário, sozinho em uma sala, comparasse formas geométricas na tela do computador e dissesse se eram iguais ou não. Mais tarde, a cobaia fazia o mesmo, mas acompanhada de outros quatro participantes, todos atores que davam respostas erradas de propósito. Na primeira parte do estudo, o voluntário acertava 90% das questões. Na segunda, o índice de acertos caía para 50%, mostrando o quanto a influência alheia repercutia na decisão. Ocorre que o voluntário tinha um scanner conectado à cabeça. “Pelas imagens notamos alterações em áreas do cérebro associadas à percepção visual quando ele estava na companhia dos atores”, conta Berns. 


A opinião dos outros parece moldar nossa crença a ponto de distorcer o que enxergamos de fato. 

A influência externa em nossas opiniões é ainda maior quando existe algum tipo de relação afetiva com quem se tenta convencer. É por isso que diversas empresas (no ramo dos cosméticos, por exemplo) se apoiam num time de vendedoras-amigas: elas levam novidades à casa das colegas imbuídas de um poder de convencimento muito mais emocional. Afeição também pode ser construída e não é à toa que lojas enviam cartões de Natal e vendedores buscam elementos em comum para conquistar o cliente — nacionalidade, time, religião. A aparência ou o modo como as pessoas nos veem também conta: pesquisas sugerem que tendemos a concordar mais com indivíduos que nos pareçam simpáticos, honestos e inteligentes.


O jeito de falar é outro fator determinante para construir a empatia e convencer. Segundo Cida Coelho, quatro atitudes estabelecem esse canal: o olhar — o olho no olho sugere confiança —, a altura da voz — tons mais graves passam credibilidade e os mais agudos, despreparo —, o ritmo da fala — rapidez dá sensação de ansiedade, enquanto a lentidão indica falta de conhecimento — e a articulação ou dicção, que é a clareza e a fluidez ao transmitir a mensagem. Seguir esses preceitos não significa virar um robô com a voz empostada. “Hoje se valoriza mais a naturalidade, até porque as pessoas costumam desacreditar em quem não parece natural”, diz Cida.



Até mesmo tocar alguém ajuda a convencer. Um estudo da Universidade do Sul da Bretanha, na França, usou uma atriz abordando pessoas num ponto de ônibus vazio. Ela pedia informações e depois simulava um tropeção, derrubando seus pertences. O teste foi feito de duas formas: com e sem um toque sutil no braço do desconhecido. Resultado: 63% dos indivíduos que não foram tocados ajudaram a atriz a pegar suas coisas, enquanto 90% dos agraciados com um toque fizeram esse favor à moça. O mesmo acontece na paquera ao encostar no braço ou joelho da parceira (só não vale grudar!)

Ilustrações: Tiago Lacerda

Foi ele quem disse 
Se você quer vencer um debate de ideias custoso, a saída é pedir ajuda aos universitários, ou melhor, filósofos, cientistas, literatos... Citar nomes e frases de gente famosa funciona porque os atalhos mentais nos levam a aceitar mais rapidamente a opinião de autoridades. “Nossa tendência é respeitar e até se encantar diante de alguém reconhecido por seus feitos”, diz Martha Hübner, professora do Instituto de Psicologia da USP. Repare como isso é usado nos anúncios publicitários: dentistas viraram garotos-propaganda de cremes dentais. O poder de influência da imprensa também não só é calcado na figura da autoridade, como a reforça. Dados colhidos nos EUA entre o final dos anos 1980 e início dos anos 1990 apontam que quando a posição de um expert sai no jornal The New York Times, ela provoca um deslocamento de 2% na opinião pública sobre o assunto; se a posição é defendida na TV, o impacto sobe para 4%.


Aliás, já que falávamos em marketing, outro princípio persuasivo que recorre aos atalhos mentais é o da escassez: se você disser que a promoção acaba no próximo final de semana ou que são as últimas peças à venda, tenha certeza de que mais clientes baterão à sua porta. Num experimento com estudantes da Universidade do Estado da Flórida, nos EUA, a avaliação da comida da cantina do campus, normalmente ruim, melhorou quando eles foram informados de que o estabelecimento teria de fechar por duas semanas em razão de um incêndio. Os especialistas afirmam que associamos automaticamente a característica de ser raro ou escasso a um valor maior.



Outra linha de pesquisa sobre as técnicas persuasivas se debruça sobre nossa noção de compromisso. Se dissermos que faremos alguma coisa, sobretudo por escrito, nos sentimos na obrigação de cumprir a promessa. Em outro estudo clássico, este da Universidade de Indiana, americanos que responderam numa entrevista que concordariam em doar dinheiro para pacientes com câncer acabaram doando para valer quando, uma semana depois, funcionários de uma associação de combate à doença passaram por suas residências — o auxílio à campanha aumentou em 700% quando comparado à coleta sem as entrevistas anteriores. Quando o compromisso é de certo modo público (os voluntários expressaram que fariam uma doação), nos obrigamos ainda mais a ser coerentes. 



Vai cair na rede? 

As estratégias de convencimento já começam a ser atualizadas na era da internet. Um exemplo é a relativização dos argumentos de autoridade. “No mundo virtual se prioriza a opinião dos semelhantes”, nota Cialdini. Levantamento recente do instituto Deloitte confirma isso: 62% dos consumidores online nos EUA leem os comentários dos outros antes de comprar e 98% acreditam nessas opiniões.


Pesquisas preliminares também mostram que o poder de convencimento tende a se manter igual na internet, mas só no caso dos homens. Num experimento de bate-papo online versus convencimento pessoal, a psicóloga Rosanna Guadagno, diretora do Programa de Psicologia Social da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, observou uma diferença considerável entre as mulheres. “O contato cara a cara teve um impacto maior entre elas, porque possuem uma maior necessidade de estabelecer conexões, algo comprometido pelo distanciamento imposto pelo computador”, explica. Rosanna avalia agora de que forma os contatos no Facebook repercutem nas influências da vida real. É provável que, antes de pedir um favor pessoalmente, valha a pena curtir um post do camarada. 



Coisa do diabo? 

Nos últimos anos, marqueteiros e grandes corporações têm usado e abusado desses atalhos mentais para aumentar as vendas e motivar funcionários a fazer o que os chefes desejam. Talvez por isso não seja raro pessoas persuasivas serem vistas como manipuladoras e arrivistas. Chega a ser irônico, já que a retórica, disciplina que visa à construção de um discurso eficaz e influente, nasceu com propósitos mais nobres na Grécia antiga. “A ideia era usar a força da palavra para convencer e expulsar os invasores da ilha da Sicília, oferecendo uma alternativa à guerra”, conta Lineide do Lago Mosca, professora de Letras Clássicas e Vernáculas da USP. Aliás, técnicas persuasivas continuam sendo empregadas com propósitos éticos. É o caso de profissionais da saúde. “Interessa-nos usar estratégias que maximizem as chances de convencer o paciente a sair da cama, se livrar do medo de uma cirurgia ou aderir a um tratamento”, exemplifica Martha.


“A persuasão é uma ferramenta que pode ser usada com boas ou más intenções. E é importante conhecer suas táticas inclusive para se defender de pessoas que as utilizam de maneira antiética”, diz o Ph.D. em comunicação John Seiter, da Universidade do Estado de Utah, nos EUA. Embora compreender seus mecanismos e treiná-los possa nos deixar mais convincentes e atentos a tentativas de manipulação, essas estratégias, sozinhas, não fazem mágica. Sem referências, ideias e bons argumentos, não há técnica que resista. “Habilidades como erudição e negociação são relevantes, mas o discurso precisa ter sustância, sob pena de ser encarado como picaretagem”, diz a psicóloga Ana Cristina Limongi-França, da Faculdade de Economia e Administração da USP. É aquela velha história dos políticos de frases vazias. E eles, você há de concordar, já não convencem mais ninguém, não é mesmo?

Ilustrações: Tiago Lacerda
15 truques para convencer melhor (ou 15 alertas para não cair na lábia dos outros)


1. Antes de pedir um favor ou iniciar uma conversa penosa, sorria e faça elogios ao interlocutor. Só não exagere na dose para não soar artificial. 



2. Imite gestos e expressões faciais e verbais do seu colega. Pesquisas demonstram que copiar o parceiro de conversa, sem bancar o mímico, claro, aumenta a chance de persuadi-lo. 



3. Traga lembrancinhas das férias, curta um status no Facebook, ofereça uma carona... 

Presentes e favores criam para o beneficiado uma necessidade de retribuir a gentileza. 


4. Numa discussão com um chefe ou interlocutor difícil de lidar, introduza suas objeções fingindo aceitar as proposições dele. Exemplo: “Eu concordo com isso, mas também temos que considerar...”. 



5. Busque elementos em comum, como time de futebol, preferência musical, nome e origem, para estabelecer uma maior intimidade. A afinidade garante mais sucesso nos pedidos e debates. 



6. Se você quer convencer alguém de que X supera Y, aponte as qualidades de X, mas ressalte sobretudo os defeitos de Y. Há indícios de que nosso cérebro guarda melhor aspectos negativos de uma pessoa ou produto. 



7. Ao defender uma tese, não perca tempo elencando mil argumentos. Tenha foco e dê subsídios para os principais. Isso evita a impressão de que você tem conhecimento superficial do assunto. 



8. Nada de recorrer demais a “hmm...”, “deixe-me ver...” e expressões que denotam hesitação e incerteza. A fluidez do discurso é importante para que ele cole. 



9. Sempre dê motivos. Um estudo mostrou que a chance de você conseguir furar a fila apresentando uma razão (“Posso passar na frente porque estou com pressa e minha mulher está no carro?”) é maior do que se simplesmente você pedir (“Posso passar na frente? Tenho pressa!”). 



10. Numa discussão, coloque-se sempre como superior ou use informações de foro privilegiado. Exemplos: “Sei disso porque morei em Londres...” ou “Então, uma prima que morou em Londres disse...”.



11. Jamais entre numa discussão cansado. O cérebro demanda muita energia. Ao ficar extenuado, multiplica o risco de se embolar e ceder. 



12. Se você quer de fato convencer alguém a fazer algo, certifique-se de selar o compromisso por escrito. Há evidências de que o comprometimento por meio de um e-mail ou bilhete tem maior chance de ser cumprido. 



13. Se quer que lhe façam um favor e suspeita que vão recusar, comece pedindo algo mais difícil. Exemplo: você precisa de R$ 10, mas pede primeiro R$ 30. Caso o interlocutor negue, você questiona se não teria pelo menos uns R$ 10. É alta a chance de a rejeição virar um “sim”. 



14. Aparência faz diferença. Pesquisas indicam que o jeito de vestir e a adequação ao contexto elevam a confiança em quem profere o discurso. 



15. Nas discussões mais complexas, aprenda com o filósofo alemão Arthur Schopenhauer: procure expandir ou generalizar as ideias do interlocutor para encontrar brechas nelas ou invalidá-las. E faça com que ele concorde com cada um dos seus argumentos antes de arrematar. Essa tática o força a aceitar sua conclusão.




SPONCIATO, Diogo. A ciência da boa lábia. GALILEU. Acesso em: 03/01/2013. Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI325160-17579,00-A+CIENCIA+DA+BOA+LABIA.html.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Evolução do cérebro está ligada à prática de exercícios

Atividade física tornou o homem mais inteligente

Pintura rupestre de guerreiro da pré-história,
do povo san, da África do Sul -  
Latinstock
Quem descartar a meta de exercitar-se mais  em 2013, considerando-a uma promessa impossível, deveria antes considerar uma teoria sobre a evolução humana que angaria cada vez mais adeptos na comunidade científica. Esta tese sugere que nossa inteligência hoje se deve, em parte, ao fato que, milhões de anos atrás, nossos ancestrais podiam fugir e correr distâncias maiores do que grande parte dos outros mamíferos. Ainda de acordo com esta hipótese, nosso cérebro foi moldado e se tornou mais apurado pelo movimento, e até hoje demanda atividades físicas para funcionar adequadamente.

O papel da resistência física no desenvolvimento da Humanidade intriga antropólogos e faz parte da imaginação popular há muito tempo. Em 2004, os biólogos evolutivos Daniel Lieberman e Dennis Brambel, respectivamente das universidades de Harvard e Utah, publicaram um artigo na revista “Nature” intitulado “A corrida de resistência e a evolução do Homo”, em que conjecturam que nossos ancestrais bípedes sobreviveram se tornando atletas de resistência, capazes de derrubar presas mais rápidas por pura teimosia, correndo e as caçando até terem sucesso.

Perpetuação dos genes

A resistência resultou em mais alimentos, produzindo energia para o acasalamento, o que significa que os primeiros corredores passaram adiante seus genes. Dessa forma, a seleção natural tornou o homem pré-histórico cada vez mais atlético, segundo Lieberman e outros cientistas. Seus corpos desenvolveram pernas mais longas, dedos menores, menos cabelos e complexos mecanismos de audição, funções que colaboraram na manutenção do equilíbrio e da estabilidade. Os movimentos, então, moldaram o corpo humano.

Ao mesmo tempo, em um desenvolvimento que, até recentemente, muitos cientistas não viam como relacionados à atividade física, o homem se tornou mais inteligente. Seu cérebro aumentou rapidamente de tamanho.

Hoje, segundo antropólogos, o homem tem um cérebro aproximadamente três vezes maior do que outros mamíferos de tamanho semelhante ao nosso.

Cientistas evolucionistas atribuíram este crescimento do cérebro a fatores como o consumo de carne e, talvez ainda mais importante, ao fato de que nossos primeiros ancestrais dependiam da interação social. O homem pré-histórico precisava planejar e executar caçadas em grupo, o que demandava pensamentos complexos que, quando bem-sucedidos, resultavam em uma recompensa. De acordo com esta hipótese, a evolução do cérebro foi uma consequência da necessidade de pensar.

Agora, no entanto, os cientistas sugerem que a atividade física também teve um papel crucial no crescimento do cérebro.

Para chegar a esta conclusão, os antropólogos analisaram dados já existentes sobre o tamanho do cérebro e a capacidade de resistência em vários mamíferos, como cachorros, porcos, raposas, camundongos, lobos, ratos, gatos e ovelhas. Notaram, assim, que havia um padrão. Espécies como cachorros e ratos, com uma capacidade de resistência grande e inata provavelmente desenvolvida ao longo de milênios, também contam com um grande volume cerebral, comparado ao tamanho de seus corpos.

Os pesquisadores também conferiram experimentos recentes em que camundongos e ratos foram sistematicamente submetidos a corridas de longa distância. Animais criados em laboratório que corriam voluntariamente, quando postos para cruzar, geraram filhotes corredores de boa qualidade.

Após muitas gerações, esses animais começaram a desenvolver de forma inata altos níveis de substâncias responsáveis pelo crescimento de tecidos e com boa repercussão na saúde, incluindo uma proteção chamada fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF, na sigla em inglês). Estas substâncias são importantes para a performance de resistência.

O que isso significa, segundo David Raichlen, antropólogo da Universidade do Arizona e autor de um novo artigo sobre a evolução do cérebro humano, que será publicado na edição deste mês da revista “Proceedings of the Royal Society Biology”, é que a atividade física pode ter ajudado a tornar o homem ainda mais inteligente.

— Acreditamos que nossos ancestrais caçadores-coletores mais atléticos e ativos sobreviveram e, como os camundongos de laboratório, passaram suas características fisiológicas ligadas à melhoria da resistência, incluindo níveis elevados de BDNF — explicou. 

— Eventualmente, estes primeiros atletas acumularam tanto BDNF em seus corpos que ele migrou dos músculos para o cérebro, onde provocaram o crescimento do tecido cerebral.

Exercício apura habilidades mentais

O homem pré-histórico, então, aplicou sua crescente habilidade para o pensamento e a razão em melhores técnicas para conseguir suas presas, aumentando a disponibilidade de alimentos e tornando-se mais bem sucedidos do ponto de vista evolutivo. Estar em movimento os fez mais inteligentes, e, assim, permitiu que se movessem mais eficientemente.

— O principal ponto dessa nova teoria é que, se a atividade física ajuda a moldar a nossa estrutura cerebral, então provavelmente hoje ela continua essencial ao cérebro — ressalta John Polk, professor de antropologia da Universidade de Illionois em Urbana-Champaign, e coautor, com Raichlen, do novo artigo.

E há um suporte científico para esta hipótese. Estudos recentes mostraram, segundo Polk, que “exercício regular, mesmo a caminhada” leva a habilidades mentais apuradas, o que foi registrado da infância até a terceira idade.

A hipótese de que correr atrás da presa ajudou o homem em sua evolução cerebral ainda não foi confirmada, segundo Raichlen, e é quase impossível de prová-la. Mas Lieberman conclui:

— Acredito firmemente que existe uma sólida relação entre um corpo saudável e uma mente saudável — assegura, tornando a expressão “exercitar a memória” mais literal do que se imaginava.



REYNOLDS, GRETCHEN. Quem descartar a meta de exercitar-se mais. NEW YORK TIMES. Acesso em: 05/01/2013. Disponível em: http://oglobo.globo.com/ciencia/evolucao-do-cerebro-esta-ligada-pratica-de-exercicios-7168569

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O latim volta à cena


  • Papa cria centro de estudos da língua, negligenciada pelo clero há 50 anos, desde o Concílio Vaticano II

Fé modernizada. O Concílio Vaticano II
aproximou a Santa Sé dos católicos, dando
fim a séculos sem reformas - 
Fotos de
 Andrew Medichini/AP
Percebido por muitos como um Papa conservador, Bento XVI reforçou essa imagem com a criação, no mês passado, da Academia Pontifícia para o Latim. 

O líder da Igreja Católica quer difundir uma língua que, há 50 anos, desde o Concílio Vaticano II, permanece praticamente restrita aos domínios do Estado papal. Voltada à formação de religiosos, a instituição vai intensificar o ensino do latim para os novos padres — que atualmente têm apenas uma noção superficial do idioma —, além de promover seu uso em conferências, publicações e mesmo em escolas e universidades.

A decisão não deve ser vista como um retrocesso em pleno cinquentenário do concílio, na opinião de teólogos ouvidos pelo GLOBO. A reforma do catolicismo promovida àquela época é irreversível, por responder a contestações acumuladas em períodos cruciais da História.

O Concílio foi uma tentativa da Santa Sé de se reerguer após duas grandes crises que reduziram seus domínios — e, consequentemente, o número de fiéis. O Cisma do Oriente, em 1054, separou a Igreja Católica Romana da Ortodoxa. E, em 1517, Martinho Lutero pregou, na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, 95 teses que foram o momento inicial do protestantismo.

Houve, no século XIX, uma tentativa da Igreja de unificar seu discurso relacionado a problemas contemporâneos, como a ascensão do liberalismo. Mas o Concílio Vaticano I, o encontro convocado pelo Papa Pio IX, não teve força. Convocado em 1869, foi suspenso subitamente no ano seguinte, com a eclosão de uma guerra entre a França e a Prússia.

Nos anos 1900, os conflitos e crises se multiplicaram. E os fiéis reivindicavam uma orientação, de acordo com o padre Waldecir Gonzaga, autor do livro “A verdade do Evangelho e a autoridade na Igreja: na exegese do Vaticano II até nossos dias”.

— O mundo e a Igreja presenciaram vários acontecimentos que pediam mudanças, como a criação do bloco soviético, duas Guerras Mundiais, o Holocausto, o novo Estado de Israel e a eleição de John Kennedy, um católico, para a presidência dos EUA — observa Gonzaga, doutor em teologia bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG) em Roma. — Estes e outros episódios deram ainda mais força ao Concílio Vaticano II, que deveria responder questões que se acumulavam há muito tempo.

A assembleia foi convocada pelo Papa João XXIII três meses após se tornar líder da Igreja Católica, em 1959. Três anos depois, o Concílio foi aberto.
Reforma chega às missas

Uma de suas decisões mais conhecidas foi a autorização para que as missas, sempre realizadas em latim, fossem celebradas nas línguas de cada país.

— Os textos litúrgicos passaram a ser traduzidos para diversos idiomas — diz o teólogo Francisco Costa, doutor em Latim também pela PUG. — Até a autorização para que línguas locais fossem usadas nas missas, havia momentos em que os fiéis ficavam perdidos. O público sabia, por exemplo, a hora da comunhão mais pelo gestual do padre do que por seu discurso.

Com a expansão do catolicismo para todo o planeta, não havia como escolher apenas um idioma para substituir o latim. Era uma situação completamente diversa à do século IV, quando esta língua fora adotada oficialmente pelo Vaticano. À época, o Papa Dâmaso I conferiu a São Jerônimo a missão de traduzir a Bíblia, escrita originalmente em hebraico, aramaico e grego.

Houve, no entanto, resistência à modernização desencadeada pelo Vaticano II.

— A Igreja francesa se dividiu. Muitos padres e bispos permaneceram celebrando missas em latim, e eles atraíam mais gente do que aqueles que adotaram o idioma francês — ressalta o vaticanólogo Giancarlo Nardi, diretor do Instituto Pátria e Fé OperaPia Romana e estudioso da Santa Sé há 35 anos. — Também observou-se, em todo o mundo, a flexibilização de outras tradições. Os padres deixaram de ficar voltados para o altar, de costas para o público. Homens e mulheres, que muitas vezes sentavam separados, passaram a se misturar. Em diversas igrejas, as fiéis aboliram o véu, que era preto para as casadas e branco para as solteiras.

Mudança de atitude com outras religiões

Outras medidas renovadoras ficaram à sombra do enfraquecimento do latim, como a valorização das conferências episcopais e de ministérios leigos — esta última decisão foi fundamental para que o catolicismo se difundisse independentemente da presença de um membro do clero, incentivando ações de seus fiéis.

O Vaticano também estendeu a mão ao diálogo com outras religiões, o que aumentou a legitimidade do Papa fora de seu rebanho.

— Os cristãos que não seguiam a fé católica romana perceberam em João XXIII uma atitude fraterna, em vez da antiga hostilidade — explica Waldecir Gonzaga. — Roma deixou de se considerar a detentora da verdade, definindo-se agora como uma serva de Deus. A Santa Sé abandonou a visão dos protestantes como heréticos e dos ortodoxos como cismáticos.

Os quatro sucessores de João XXIII participaram do Concílio. Além de Paulo VI, vieram da assembleia os papas João Paulo I e II, e Bento XVI.

— O atual Pontífice foi um consultor importante do Vaticano II, onde trabalhou em textos fundamentais — destaca Franca Giansoldati, responsável pela cobertura jornalística da Santa Sé para o diário italiano “Il Messaggero”. — Colocá-lo como um Papa conservador é uma leitura superficial. Bento XVI defende as regras e o caminho da tradição, mas sempre deixou claro que o Concílio lhe serve como uma bússola.

Nas décadas seguintes ao Vaticano II, o latim foi negligenciado na formação do clero — um problema, porque há muitos documentos papais ainda não traduzidos para outros idiomas. Daí a decisão do Pontífice de criar um centro internacional de estudos da língua.

Segundo Franca, até a ala tradicionalista da Santa Sé, a mais resistente a reformas, tem bispos e cardeais que não dominam o latim. A criação de uma Academia Pontifícia, portanto, não seria um mero favor de Bento XVI ao grupo.

Os teólogos são unânimes em achar que o Concílio não matou o latim. Se hoje ele parece extinto, seria culpa da radicalização de suas medidas nas últimas décadas.

— Houve exageros na interpretação da assembleia e no desejo de se libertar de tudo que era visto como empecilho para o povo entender e celebrar melhor a fé católica — admite Gonzaga. — Paulo VI, ao concluir o Concílio, deu à Igreja um mínimo de cantos gregorianos em latim que deveriam ser lembrados em grandes ocasiões. Mas até isso foi se perdendo, tornando-se um patrimônio quase exclusivo de grandes mosteiros, como o de São Bento, no Rio.

Giancarlo acredita que o Vaticano II foi a resposta necessária à antiga inércia da Santa Sé.

— A Igreja estava parada há 18 séculos — assinala. — Resolveram-se pendências, mas há desafios para o catolicismo. Entre elas, o casamento de gays e de padres e as células-tronco. São questões que exigirão avaliações no futuro.



_________. O latim volta à cena. O GLOBO. Acesso em: 04/01/2013. Disponível em: http://oglobo.globo.com/ciencia/o-latim-volta-cena-7164515#ixzz2GvY4ibvu.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Grupo identifica como as palavras ganham significado no cérebro

Universidade holandesa identificou quais neurônios são ativados quando
 o cérebro procura decifrar o significado de uma palavra -  
Latinstock

Um dos enigmas do cérebro é entender como ele identifica o significado das palavras — e, a partir daí, constrói frases inteiras. Esta etapa, fundamental para a leitura de mentes, começou a ser decifrada na Universidade de Maastricht, na Holanda. 

A equipe do pesquisador João Correia identificou que área do órgão interpreta as palavras e viu que o modo como esta informação é decifrada pelo cérebro é o mesmo, independentemente do idioma usado, ao menos se as aprendemos em um mesmo período da vida.

Além de nos deixar mais próximos de traduzir pensamentos, a pesquisa conta com aplicações médicas. Entender a atividade cerebral envolvida com o significado das palavras aproxima os especialistas da percepção que os pacientes têm de suas próprias disfunções cerebrais. Uma delas seria a síndrome do encarceramento, onde o corpo inteiro, à exceção dos olhos, é paralisado — e, apesar disso, as faculdades mentais permanecem perfeitas.

Hoje, a medicina consegue ocasionalmente distinguir que palavras estamos ouvindo. Correia, no entanto, tentou ir além da pura representação no cérebro das palavras. Sua meta era identificar a atividade que cerca seus significados. Em algum local no órgão, a interpretação escrita e falada estaria integrada, unificando o entendimento.

Testes feitos em inglês e holandês

Para chegar a esta região, Correia fez uma ressonância magnética funcional de oito pessoas. Todos elas eram bilíngues, sendo o holandês seu idioma nativo. Estes voluntários aprenderam, em inglês, o nome de quatro animais — touro, cavalo, tubarão e pato. Foram escolhidas as palavras mais semelhantes possíveis. Em inglês, têm apenas uma sílaba; compartilham o mesmo conceito — são nomes de animais —; e costumam são aprendidas no mesmo período da vida, demandando, assim, um tempo semelhante para que o cérebro as processe.

Chegou-se, assim, a uma região do córtex temporal esquerdo que era ativada pelas tarefas semânticas, ou seja, pela compreensão das palavras. Através dela, foi visto se a atividade cerebral era relacionada ao som das palavras ou ao seu significado.

O sistema foi criado com padrões que abrigariam as palavras em inglês. Apesar disso, a fórmula desenvolvida por Correia identificou corretamente os animais enquanto os voluntários ouviam a versão holandesa das palavras. Sua equipe, portanto, descobriu que o mesmo conjunto de neurônios era ativado, independentemente do idioma.

— O tipo de abordagem relacionado ao reconhecimento da palavra é uma ferramenta interessante para investigar como e onde o entendimento é representado no cérebro — explica Zoe Woodhead, da Universidade College London, que não participou do estudo. — Palavras com o mesmo significado em diferentes idiomas ativam o mesmo grupo de neurônios, mesmo que estas palavras pareçam e soem de modo completamente diferente.

Um exemplo: a palavra “cavalo”, que em holandês é “paard”, originou o mesmo padrão no cérebro em ambos os idiomas, sugerindo que havia uma mesma atividade representando o significado da palavra — o conceito de “cavalo”. A pesquisa de Correia foi apresentada na última Conferência de Neurobiologia da Linguagem, sediada em San Sebastián, na Espanha.

Compreensão é única em cada indivíduo

Conforme as resoluções das imagens no cérebro aumentam, a fórmula de Correia decifrará pela atividade cerebral um número maior de palavras. Seria possível, no futuro, identificar frases inteiras em tempo real.

— Na ficção científica, todos querem um dispositivo capaz de ler mentes — destaca Matt Davis, da Unidade de Cognição e Ciências do Cérebro da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. — A pesquisa (de Correia) é uma contribuição útil para que isso um dia seja possível.

Os padrões cerebrais identificados por Correia, porém, eram únicos em cada pessoa. Cérebros são como rostos — olhos, nariz e boca estão sempre no mesmo local, mas há uma chance significativa de os detalhes serem diferentes.

— Os significados podem ser depositados sempre na mesma área, mas os neurônios envolvidos seriam próprios de cada indivíduo — pondera.

Para ler a mente de alguém, segundo Davis, um equipamento precisaria primeiramente aprender a representação única que cada pessoa tem de uma palavra.



_________. Grupo identifica como as palavras ganham significado no cérebro. O GLOBO. Acesso em: 03/01/2013. Disponível em: http://oglobo.globo.com/ciencia/grupo-identifica-como-as-palavras-ganham-significado-no-cerebro-7175188#ixzz2GvRoBmQ8 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cinco traços de linguagem corporal que podem condenar entrevistas de emprego

Veja algumas dicas para evitar movimentos desnecessários e se dar bem na hora de conquistar uma vaga

Grande parte de nossa comunicação com outras pessoas não se restringe apenas à fala, visão ou audição, mas também à nossa postura diante do que queremos expressar. Prova disso são os gestos que fazemos com o corpo - principalmente com as mãos -, e que dizem muito a nosso respeito. O problema é quando esse tipo de comportamento se manifesta em momentos não muito indicados, como uma entrevista de emprego.
 
O site WiseBread detalhou cinco erros comuns que as pessoas cometem ao "falar com o corpo" durante entrevistas profissionais, e também deu dicas para evitá-los. Acompanhe abaixo e veja como melhorar o seu desempenho na hora de lutar por uma vaga.
Seu aperto de mão pode causar uma boa ou má primeira impressão
 
Torne seu aperto de mão firme, mas não de maneira agressiva ou frágil demais. Bem sabemos que o nervosismo pode tomar conta de muita gente ao partir para uma entrevista, mas certifique-se de que suas mãos estejam secas e não suando ao se apresentar para o recrutador.
 
Não toque o seu rosto
 
As pessoas tendem a colocar as mãos para apoiar seus rostos durante alguma entrevista. No entanto, se quiser dar uma boa impressão, precisa estar consciente de que suas mãos podem ditar o resultado final de um processo seletivo. Mantenha-as longe de seu nariz e boca, e não as coloque sobre o queixo, como quem está analisando o ambiente. Para muitos entrevistadores, tocar o rosto pode ser um sinal de desonestidade.
 
Não cruze os braços
 
Mesmo quem não tem o hábito de participar de muitas entrevistas, sabe que o simples cruzar de braços pode dizer muito sobre o que você acha a respeito de um determinado assunto. Cruzar os braços é, muita vezes, sinônimo de agressividade ou desinteresse, e esta, com certeza, não é a primeira impressão que você quer transmitir. O máximo que você pode fazer é colocar suas mãos sobre a mesa (caso haja alguma).
 
Não olhe tão fixamente
 
Contato visual sempre é uma boa saída. Mas existe uma diferença entre olhar fixamente e simplesmente prestar atenção. Por isso, essa atitude deve ser algo natural: não fixe os olhos no seu entrevistador, mas olhe-o com atenção sem deixá-lo desconfortável. Ao mesmo tempo, não percorra a sala com o seu olhar, como quem parece entediado ou pensando em outras coisas que não sejam o motivo da entrevista.
 
Evite balançar muito o corpo
 
Balançar o pé, as pernas, acenar muito com a cabeça, girar o corpo na cadeira, e tantos outros movimentos dessa natureza podem fazer com que o recrutador o interprete como uma pessoa desinteressada, ou até mesmo hipócrita ou covarde. Assim como o contato visual deve ser ponderado, concordar positiva ou negativamente com a cabeça deve também ser moderado, e apenas quando a situação for claramente apropriada.


________.Cinco traços de linguagem corporal que podem condenar entrevistas de emprego.Olhar digital. Disponível em:http://olhardigital.uol.com.br/negocios/digital_news/noticias/cinco-gestos-de-linguagem-corporal-que-voce-nao-deve-fazer-durante-a-entrevsita. Acesso em: 17/11/12


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